A Antártica é conhecida como o último continente e também como o continente austral, por estar localizada no extremo sul do planeta. A palavra “austral” vem do termo latino auster, que significa sul.
É uma região cercada pelo Oceano Austral, onde vivem animais como pinguins, focas, baleias e diversas espécies adaptadas às baixas temperaturas. Além disso, a Antártica não possui nenhuma conexão terrestre com os outros continentes.
O oceano mais tempestuoso da Terra
Os ventos que circulam ao redor da Antártica são muito fortes. Como o Oceano Austral rodeia todo o continente sem encontrar grandes barreiras físicas, os ventos e as correntes conseguem dar a volta completa no planeta.
O resultado é um oceano com ondas enormes e algumas das condições de navegação mais difíceis da Terra.
Em algumas das minhas viagens para a Antártica, enfrentei ondas de aproximadamente oito metros. E não pense que apenas quem não está acostumado passa mal. Até marinheiro experiente pode sofrer nesse marzão.
Nessas horas, minha estratégia era simples: tomar Dramin, ficar na horizontal e esperar o oceano parar de tentar me jogar para fora da cama.
O continente austral influencia o clima do Brasil
Os ventos que se formam ao redor da Antártica influenciam a circulação atmosférica de todo o planeta.
Nós sentimos parte dessa influência no Brasil por meio das massas de ar polar e das frentes frias que avançam sobre a América do Sul.
Essa conexão é ainda mais forte porque a América do Sul é o continente mais próximo da Antártica. Para ter uma ideia, partes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão mais próximas da Antártica do que do extremo norte da Amazônia.
Ou seja, o continente gelado pode parecer distante, mas está muito mais perto da nossa rotina do que imaginamos.
Os oceanos também estão conectados
Além da atmosfera, os oceanos se conectam por meio das correntes marinhas.
Imagine as correntes como ruas e avenidas dentro do oceano. Cada uma possui direção, velocidade, temperatura e salinidade próprias. Juntas, elas transportam água, calor, nutrientes e organismos por diferentes regiões do planeta.
Essas correntes também funcionam como grandes rotas para animais que migram por milhares de quilômetros.
É por isso que baleias-jubarte que se alimentam nas águas próximas à Antártica podem viajar até Abrolhos, na Bahia, para se reproduzir.
Por que a Antártica é o refrigerador da Terra?
As correntes marinhas são fundamentais para a troca de calor entre as diferentes regiões dos oceanos.
Enquanto águas frias se formam próximo ao continente austral, águas mais quentes circulam pelas regiões tropicais e equatoriais. Esse movimento ajuda a distribuir calor pelo planeta e a manter temperaturas adequadas para a vida.
Por exercer um papel tão importante na regulação do clima, a Antártica é frequentemente chamada de refrigerador da Terra.
Ar e mar trabalham juntos, conectando o continente gelado ao restante do planeta.
O que acontece na Antártica não fica na Antártica
Alterações no gelo, no oceano ou na atmosfera da região antártica podem modificar correntes marinhas, ventos, temperaturas e ecossistemas em diferentes partes do mundo.
Mas essa conexão funciona nos dois sentidos.
O que fazemos no Brasil também pode afetar a Antártica. O desmatamento, as queimadas, a queima de combustíveis fósseis e o excesso de veículos aumentam a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
Com o planeta mais quente, a circulação dos ventos e dos oceanos pode se modificar. O aquecimento também contribui para o derretimento do gelo e para mudanças no Oceano Austral.
Até o plástico descartado de forma inadequada pode ser transportado pelos rios, correntes marinhas e ventos, alcançando regiões muito distantes.
Tudo está conectado
A Antártica não é apenas um lugar gelado, distante e cheio de pinguins. O continente austral participa do funcionamento do clima, dos oceanos e dos ecossistemas que sustentam a vida na Terra.
Proteger a Antártica também significa proteger o oceano, o clima e o nosso próprio futuro.
Não é legal saber como tudo está conectado e que podemos ajudar a preservar? Então continuem curiosos e até o próximo post!
Quer saber mais sobre o continente gelado? Confira os vídeos do canal Gelo na Bagagem no YouTube.
http://youtube.com/gelonabagagem


