Você já reparou que estamos rodeados de pinguins?
Eles aparecem em filmes como Happy Feet, Madagascar e Tá Dando Onda, em desenhos animados, comerciais, brinquedos, roupas e até nos rótulos de uma conhecida marca brasileira de cerveja.
Quando pensamos nesses animais, quase sempre imaginamos a mesma cena: um pinguim caminhando no gelo, cercado por neve e enfrentando um frio de congelar até pensamento.
Só que existe um pequeno problema nessa imagem.
Nem todo pinguim vive na Antártica.
Na verdade, existem pinguins que vivem em praias, ilhas rochosas, regiões temperadas e até perto da Linha do Equador.
Pois é. Tem pinguim tomando sol enquanto a gente insiste em colocar todos eles no meio de uma nevasca.
Quantas espécies de pinguins existem?
Atualmente, a BirdLife International reconhece 18 espécies de pinguins. Dependendo da classificação taxonômica utilizada, esse número pode variar, porque pesquisadores ainda discutem se algumas populações devem ser consideradas espécies diferentes ou apenas subespécies.
Isso acontece porque a taxonomia não é uma lista escrita em pedra. Com novos estudos genéticos, morfológicos e comportamentais, a classificação dos animais pode mudar.
As espécies de pinguins vivem exclusivamente no Hemisfério Sul, mas estão distribuídas por diferentes ambientes. Elas podem ser encontradas na Antártica, em ilhas subantárticas, na América do Sul, na África, na Austrália, na Nova Zelândia e nas Ilhas Galápagos.
A maior parte delas, portanto, não vive sobre o gelo do continente antártico.
Existe pinguim no Equador?
Existe, sim.
O pinguim de Galápagos vive no arquipélago de Galápagos, que pertence ao Equador e está localizado bem próximo à Linha do Equador.
É a espécie de pinguim que vive mais ao norte no planeta.
A presença desses animais em uma região quente é possível por causa das correntes oceânicas frias que chegam ao arquipélago, especialmente a Corrente de Humboldt e a Corrente de Cromwell. Essas águas transportam nutrientes e ajudam a manter uma grande disponibilidade de alimento.
Ou seja, os pinguins não precisam necessariamente de neve. Eles precisam principalmente de condições oceânicas adequadas e comida disponível.
A Britannica destaca que a maioria das espécies vive em regiões localizadas entre aproximadamente 45° e 60° de latitude sul, enquanto o pinguim-de-Galápagos consegue sobreviver em uma região equatorial.
Talvez os pinguins de Madagascar não estivessem tão errados quando decidiram aproveitar uma praia ensolarada.
Os quatro pinguins do gênero Spheniscus
O pinguim de Galápagos pertence ao gênero Spheniscus, que reúne quatro espécies muito parecidas:
- pinguim de Humboldt;
- pinguim de Magalhães;
- pinguim africano;
- pinguim de Galápagos.
Esses animais apresentam o dorso escuro, a barriga branca e faixas ou manchas que ajudam na identificação de cada espécie.
O pinguim de Humboldt vive principalmente nas costas do Peru e do Chile. Ele apresenta uma faixa escura atravessando o peito e uma região rosada próxima ao bico e aos olhos.
O pinguim de Magalhães é encontrado no sul da América do Sul, especialmente na Argentina e no Chile. Também pode aparecer no litoral brasileiro durante suas migrações.
O pinguim africano vive na costa da África Austral. Já o pinguim de Galápagos fica restrito ao arquipélago equatoriano.
À primeira vista, eles parecem praticamente iguais. Mas detalhes nas faixas do peito, na cabeça e no rosto permitem diferenciar as espécies.
É quase um jogo dos sete erros, só que com pinguins.
Os pinguins de penacho amarelo
Outro grupo que chama bastante atenção é o dos pinguins do gênero Eudyptes.
Eles apresentam penas amarelas na cabeça, formando sobrancelhas ou penachos que parecem ter saído diretamente de um salão especializado em penteados extravagantes.
Esse grupo inclui espécies como:
- pinguim macaroni;
- pinguim real;
- pinguim de Snares;
- pinguim de Fiordland;
- pinguim de penacho amarelo do norte;
- pinguim de penacho amarelo do sul;
- pinguim de penacho ereto.
A classificação mais utilizada reconhece sete espécies nesse gênero.
O pinguim macaroni vive principalmente em ilhas subantárticas e em regiões do Oceano Austral. De vez em quando, alguns indivíduos aparecem misturados a colônias de outras espécies.
Isso provavelmente ajudou a inspirar personagens como o pinguim macaroni que aparece no meio da colônia em Happy Feet.
Já o pinguim real é encontrado principalmente na Ilha Macquarie, entre a Austrália e a Antártica. Ele é muito parecido com o pinguim de penacho amarelo, mas apresenta o rosto mais claro.
Durante muito tempo, houve discussão sobre a relação entre essas duas espécies. Esse é um ótimo exemplo de como a classificação dos pinguins pode mudar conforme aparecem novos estudos.
O pinguim de Snares, por sua vez, vive nas Ilhas Snares, ao sul da Nova Zelândia.
O menor pinguim do mundo
A Nova Zelândia e a Austrália também abrigam o menor pinguim do planeta.
Conhecido como pinguim azul ou pequeno pinguim, ele pertence à espécie Eudyptula minor.
Esse pinguim mede aproximadamente de 30 a 33 centímetros e pesa pouco mais de um quilo.
Sim, ele é praticamente um pinguim de bolso.
Mas não coloque nenhum no bolso. Além de ser uma péssima ideia, animais silvestres precisam ser observados sem toque, perseguição ou interferência.
O nome pinguim azul vem da coloração azulada das penas de seu dorso. Ele passa boa parte do dia no mar e retorna às colônias em terra, muitas vezes depois do anoitecer.
Quais pinguins vivem na região antártica?
Sete espécies são frequentemente associadas à Antártica e às ilhas próximas:
- pinguim imperador;
- pinguim rei
- pinguim de Adélia;
- pinguim antártico;
- pinguim papua;
- pinguim macaroni;
- pinguim de penacho amarelo.
Entretanto, existe uma diferença importante entre viver no continente antártico e viver na região antártica ou subantártica.
O British Antarctic Survey destaca que apenas o pinguim imperador e o pinguim de Adélia são verdadeiramente ligados ao continente antártico. As outras espécies vivem principalmente na Península Antártica, em ilhas próximas ou em regiões subantárticas.
Na região da Estação Antártica Comandante Ferraz, localizada na Ilha Rei George, é comum encontrar principalmente pinguins de Adélia, pinguins antárticos e pinguins papua. Eu mesma já vi todos esses e ainda o pinguim macaroni em uma colônia de pinguins antárticos
Pinguim antártico
O pinguim antártico também é chamado de pinguim de barbicha.
O motivo fica bem evidente quando olhamos para seu rosto. Ele apresenta uma linha preta fina passando abaixo do bico, como se estivesse usando um capacete preso por uma tira.
Essa espécie forma colônias numerosas na Península Antártica e em várias ilhas da região.
Pinguim papua
O pinguim papua, também conhecido como gentoo, possui bico alaranjado e uma mancha branca bem visível sobre a cabeça.
Ele é um nadador extremamente rápido e vive em diferentes ilhas do Oceano Austral, além de áreas da Península Antártica.
Estudos recentes apontam diferenças importantes entre suas populações, e alguns pesquisadores defendem que o grupo chamado atualmente de pinguim papua pode, na verdade, reunir várias espécies.
Mais uma confusão taxonômica para a conta.
Pinguim de Adélia
O pinguim de Adélia tem a cabeça completamente preta e um círculo branco ao redor dos olhos.
Ele parece pequeno e simpático, mas não se engane.
É um animal bastante corajoso e territorial. Pode enfrentar animais muito maiores quando precisa defender seu espaço, seu ninho ou seus filhotes.
O pinguim de Adélia é uma das espécies mais associadas ao continente antártico e aparece em grande número no filme Happy Feet.
Portanto, além de assistir ao filme pela música e pela dança, agora você pode tentar identificar as espécies.
Pinguim rei e pinguim imperador são diferentes
O pinguim rei e o pinguim imperador são as duas maiores espécies de pinguins do mundo. Como possuem coloração parecida, muita gente confunde os dois.
O pinguim rei vive principalmente em ilhas subantárticas. Ele apresenta manchas alaranjadas bastante fortes no pescoço e nas laterais da cabeça.
Já o pinguim imperador vive na Antártica e depende diretamente do gelo marinho para completar seu ciclo reprodutivo.
O imperador é o maior pinguim do planeta. Um adulto mede, em média, cerca de 1,30 metro e pode pesar aproximadamente 35 quilos.
Durante o inverno antártico, os machos permanecem sobre o gelo incubando um único ovo. Enquanto isso, as fêmeas seguem até o oceano para se alimentar.
Eles enfrentam escuridão, ventos fortes e temperaturas extremamente baixas.
Não é por acaso que o pinguim imperador virou um dos maiores símbolos da resistência dos animais antárticos.
Por que existem pinguins diferentes nos rótulos?
Uma conhecida marca brasileira de cerveja utiliza pinguins em sua identidade visual. Dependendo da versão e da época do rótulo, aparecem desenhos que lembram pinguins de Adélia ou pinguins imperadores.
A escolha faz sentido porque o nome da marca está relacionado à Antártica, e poucas imagens são tão rapidamente associadas ao continente quanto um pinguim.
Mas fica uma pergunta para a equipe responsável pela marca: por que existem versões diferentes?
Precisamos dessa explicação. A curiosidade científica foi oficialmente ativada.
Nem todo pinguim vive no gelo
Os pinguins são animais exclusivos do Hemisfério Sul, mas sua distribuição é muito maior do que muita gente imagina.
Existem espécies vivendo:
- no continente antártico;
- em ilhas subantárticas;
- na América do Sul;
- na costa da África;
- na Austrália;
- na Nova Zelândia;
- e até nas Ilhas Galápagos, próximas à Linha do Equador.
Conhecer as diferentes espécies de pinguins ajuda a acabar com aquela ideia de que todos esses animais vivem no mesmo lugar, enfrentando neve e dividindo espaço com os mesmos vizinhos.
Aliás, vale lembrar: pinguins e ursos polares nunca se encontram na natureza.
Os pinguins vivem no Hemisfério Sul. Os ursos polares vivem no Ártico, no Hemisfério Norte.
Agora que você conhece melhor as espécies de pinguins, vai começar a observar filmes, desenhos, logotipos e propagandas com outros olhos.
E provavelmente vai descobrir pinguins em todos os lugares.
A pergunta é: quantas espécies você já conseguiu identificar?
Continue curioso e até o próximo post!
Quer conhecer mais curiosidades e histórias sobre a Antártica? Acompanhe os vídeos do canal Gelo na Bagagem no YouTube.
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