Será que eu já fiz carinho em uma foca? Será que já abracei um pinguim?
Conheça as regras para viver na Antártica, proteger o ambiente e manter distância dos animais. Afinal, pode abraçar um pinguim?
A Antártica parece um lugar sem dono e sem regras, mas é justamente o contrário. Existem muitas normas para proteger o continente, evitar impactos ambientais e garantir que a presença humana não prejudique os animais.
E sim, essas regras determinam até a distância que devemos manter de pinguins e focas.
Por que existem regras para viver na Antártica?
A história da descoberta da Antártica foi marcada por exploração, disputas territoriais e interesses de diferentes países.
Com o aumento das pesquisas científicas no continente, ficou evidente que era necessário criar medidas específicas para proteger aquele ambiente.
Em 1991, foi assinado o Protocolo de Madri, um acordo complementar ao Tratado da Antártica voltado à preservação ambiental. O nome veio do local onde ele foi assinado. Bem original, né?
O protocolo define a Antártica como:
“Uma reserva natural, dedicada à paz e à ciência.”
Bonito. Mas essa frase também representa uma responsabilidade enorme para todas as pessoas que trabalham ou visitam o continente.
Até uma coleta científica precisa de autorização
Quando fui realizar coletas científicas na Antártica, precisei preencher uma quantidade gigantesca de documentos.
Era necessário informar:
- O que seria coletado;
- A quantidade das amostras;
- O local da coleta;
- O método utilizado;
- Como o material seria transportado até o Brasil.
Não é possível simplesmente chegar, pegar um organismo, colocar no bolso e voltar para casa. Toda atividade científica precisa ser planejada, justificada e autorizada.
Essas são algumas das principais regras para viver na Antártica e desenvolver pesquisas sem causar danos desnecessários ao ambiente.
O lixo produzido na Antártica volta para o Brasil
O cuidado também envolve tudo o que produzimos durante uma expedição.
O lixo reciclável e o orgânico precisam ser separados. Os materiais recicláveis são prensados. Parte dos resíduos orgânicos pode ser incinerada. Depois, os resíduos são colocados em contêineres e transportados pelo navio para fora da Antártica.
Nos acampamentos, até os dejetos humanos são recolhidos.
Sim, estou falando de xixi e cocô.
Tudo precisa ser armazenado e levado de volta no navio. Certa vez, os marinheiros recolheram mais de 15 galões de um acampamento. O problema é que cocô fermenta.
Um dos galões acumulou pressão e a tampa explodiu.
Agora imagine como ficou o convés do navio.
A ciência antártica também tem seus momentos menos científicos.
Até o barulho pode afetar os animais
Um assunto um pouco mais limpo é a perturbação sonora.
Na Antártica, até o barulho produzido por um drone pode causar impactos sobre os animais. Por isso, existem regras e autorizações específicas para a utilização desses equipamentos.
Não basta pensar apenas na poluição que conseguimos enxergar. Sons, aproximações e movimentos também podem alterar o comportamento da fauna.
Em 2014, a banda “Metallica” realizou um show na Antártica como parte do objetivo de tocar em todos os continentes. A estrutura foi planejada para reduzir impactos sobre o solo, e o público acompanhou a apresentação utilizando fones de ouvido.
Assim, o som não se espalhou pelo ambiente.
Qual é a distância permitida dos animais?
As regras para viver na Antártica também incluem orientações sobre a aproximação da fauna.
Durante as expedições, recebemos instruções para não chegar perto demais dos animais. De maneira geral, é necessário manter distância dos pinguins e uma distância ainda maior das focas.
Essas orientações são importantes para cientistas, militares, trabalhadores das estações e, principalmente, turistas.
Mas existe uma situação engraçada.
Às vezes, os pinguins ficam curiosos e começam a se aproximar das pessoas. Quando isso acontece, quem precisa se afastar somos nós.
O pinguim não conhece as regras do Tratado da Antártica. Você conhece.
Alguém fiscaliza o que acontece na Antártica?
As atividades realizadas no continente podem ser observadas e denunciadas por outros países.
Nas reuniões anuais relacionadas ao Tratado da Antártica, os representantes discutem problemas, apresentam propostas, criam medidas de conservação e avaliam a necessidade de novas áreas protegidas.
Ou seja, fazer algo errado na Antártica pode virar assunto internacional.
Não existe espaço para aquela desculpa clássica de que “ninguém estava olhando”.
Afinal, pode abraçar um pinguim?
Não.
Turistas não podem tocar, alimentar, perseguir ou abraçar pinguins.
O contato direto só pode acontecer em situações específicas, principalmente durante pesquisas científicas autorizadas e realizadas por profissionais capacitados.
Como já participei de atividades de coleta de amostras em pinguins, eu já precisei segurá-los. Não foi exatamente um abraço carinhoso. Foi trabalho científico.
E, sinceramente, talvez você nem queira abraçar um pinguim.
Eles são lindos, engraçados e parecem muito fofinhos nas fotos. Mas também fedem bastante.
Por isso, continuo achando que as pelúcias que tenho no Brasil são uma opção muito mais cheirosa.
Continue curioso e até o próximo post!
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