O Instituto Gelo na Bagagem participou do evento de Abertura da Temporada de Avistamento de Baleias em Arraial do Cabo, levando ciência polar, educação ambiental e muita conexão entre a Antártica, o oceano e o Brasil.
O tema do evento foi “Mulheres na Ciência”, e não poderia ter sido mais especial.
A Dra. Fran, presidente do Instituto Gelo na Bagagem, participou da programação com a palestra “Mulheres com Gelo na Bagagem”, compartilhando sua trajetória como pesquisadora antártica, suas experiências em expedições ao continente gelado e a importância de ampliar a presença de mulheres na ciência, especialmente em áreas historicamente ocupadas por homens, como a pesquisa polar, a oceanografia e o trabalho embarcado.
Antártica, baleias e mulheres na ciência
Pode parecer que a Antártica está muito longe de Arraial do Cabo, mas essa distância é só no mapa.
As baleias que chegam ao litoral brasileiro têm uma relação direta com o Oceano Austral. Muitas delas se alimentam em águas antárticas e depois migram para regiões mais quentes, como a costa do Brasil, onde podem ser observadas durante a temporada de avistamento.
Ou seja: falar de baleias em Arraial do Cabo também é falar de Antártica.
E falar de Antártica também é falar de mulheres na ciência.
Durante a palestra “Mulheres com Gelo na Bagagem”, a Dra. Fran contou um pouco sobre o que significa ser mulher pesquisadora em campo, trabalhar embarcada, participar de expedições antárticas e ocupar espaços onde, por muito tempo, poucas mulheres estiveram presentes.
Porque ciência também é feita de dados, pesquisa e método. Mas também é feita de histórias, coragem, perrengue, bota molhada, frio na cara e gente que insiste em abrir caminho.
Por que esse evento foi tão importante?
A abertura da temporada de avistamento de baleias em Arraial do Cabo reuniu ciência, conservação, turismo, educação ambiental e valorização das mulheres pesquisadoras.
Para o Instituto Gelo na Bagagem, participar desse evento foi uma oportunidade de mostrar que a Antártica não é um assunto distante, congelado e isolado. Ela está conectada ao clima, ao oceano, às baleias, à biodiversidade marinha e à nossa vida aqui no Brasil.
Também foi uma forma de reforçar uma mensagem central do Instituto:
não dá para proteger o oceano sem falar de Antártica.
E não dá para falar de ciência sem reconhecer o trabalho das mulheres que estão fazendo essa ciência acontecer.
Mulheres com Gelo na Bagagem

A palestra trouxe reflexões sobre representatividade, trajetória científica e os desafios de ser mulher em ambientes extremos.
A Dra. Fran compartilhou vivências de suas expedições à Antártica, mostrando que o continente gelado também é um espaço de descobertas humanas. Afinal, por trás de cada dado científico, existe uma pessoa enfrentando frio, saudade, medo, enjoo, dúvida, burocracia e, ainda assim, seguindo em frente.
A proposta da palestra “Mulheres com Gelo na Bagagem” é justamente essa: mostrar que as mulheres sempre estiveram presentes na ciência, mesmo quando seus nomes não apareciam nos livros, nas fotos oficiais ou nas grandes narrativas.
Hoje, essa história precisa ser contada de outro jeito.
Com mais mulheres no palco.
Mais mulheres no campo.
Mais mulheres nos navios.
Mais mulheres liderando projetos.
Mais meninas olhando para a ciência e pensando: “eu também posso estar lá”.
O Instituto Gelo na Bagagem no evento
A participação do Instituto Gelo na Bagagem reforçou sua missão de aproximar a ciência polar da sociedade. Por meio de palestras, cursos, projetos educativos e ações de divulgação científica, o Instituto trabalha para mostrar que a Antártica faz parte da nossa realidade.
Ela influencia o clima, o oceano, as correntes marinhas, as cadeias alimentares e a vida de espécies incríveis, como as baleias.
Estar em Arraial do Cabo, em um evento dedicado à temporada de avistamento de baleias, foi uma forma de ampliar essa conversa e mostrar que tudo está conectado.
Do gelo antártico ao litoral brasileiro.
Do krill às baleias.
Da pesquisa científica à educação ambiental.
Das mulheres que exploraram caminhos antes pouco acessíveis às meninas que ainda vão ocupar esses espaços.
Ciência também é presença
Eventos como esse são importantes porque levam a ciência para perto das pessoas. Eles criam pontes entre pesquisadores, moradores, estudantes, turistas, educadores, instituições e projetos ambientais.
E quando o tema é Mulheres na Ciência, essa ponte fica ainda mais necessária.
Porque representatividade não é detalhe. É convite.
Quando uma menina vê uma mulher falando sobre expedições, navios, Antártica, baleias e pesquisa científica, ela entende que a ciência também pode ter o rosto dela.
E isso muda muita coisa.
Um encontro entre o gelo e as baleias
A participação do Instituto Gelo na Bagagem na abertura da temporada de avistamento de baleias em Arraial do Cabo foi um encontro simbólico entre o gelo e o mar brasileiro.
Foi sobre Antártica.
Foi sobre baleias.
Foi sobre ciência.
Foi sobre mulheres.
Foi sobre ocupar espaços e contar histórias que precisam ser ouvidas.
Afinal, quando falamos de Mulheres com Gelo na Bagagem, não estamos falando apenas de quem já foi para a Antártica.
Estamos falando de todas as mulheres que carregam ciência, coragem e vontade de mudar o mundo, mesmo quando o caminho parece frio, distante e cheio de vento contra.
E, convenhamos, vento contra a gente conhece bem. Mas continua andando. Ou navegando. Ou embarcando. Ou dando palestra com gelo na bagagem.
